sábado, 8 de outubro de 2016

O choro é livre

Quando eu era mais nova, tinha uma facilidade absurda pra chorar. Isso acontecia constantemente e podia ser até sem motivo aparente. De alguma forma, eu sempre encontrei conforto no choro, por mais desesperador que fosse.
Me pergunto o que houve comigo porque não consigo mais colocar uma música e chorar o quanto preciso. Agora eu só consigo chorar com um filme cuidadosamente selecionado.

Eu demorei meses pra chorar a morte da minha tia.
Demorei anos pra chorar o desespero de não estar nem perto de ser o que sempre quis.
E tem tantas outras coisas que nem sei quando vou chorar.

Ficar sem chorar é guardar tudo o que te dói e fingir que nunca aconteceu. 







terça-feira, 9 de agosto de 2016

Sou nós


Tenho mania de sorrir feito boba quando lembro do dia que você sentou ao meu lado, quando eu precisava de cia e nem eu mesma sabia. É! Aquele dia em que eu chorei em silêncio e você me confortou em silêncio. Naquele momento eu soube que podia abrir minha alma pra você.

Hoje sorri feito boba ao lembrar de quando você levava o violão pra escola e tentava me ensinar uns riffizins que você jurava ser fácil. Eu desistia, pedia pra você tocar Raul e cantávamos alto no intervalo, enquanto dividíamos um quadradinho de queijo que parecia ter sido esquecido no óleo.

Hoje sorri feito boba ao lembrar que discutíamos todos os novos álbuns e descobertas musicais:
- Tenho muita vontade de correr quando escuto Resistance do Muse! 
- Mano, dá muita vontade de correr! 
- Mano, Stone Roses é foda!
- I wanna be a doooor! 
- É adored!
- Não é a door?

Hoje sorri feito boba ao lembrar que você reparava nas minhas roupas personalizadas. Aquela calça manchada de cândida na barra que eu enchi de botões... bem, acho que só você e eu gostávamos daquele detalhe quase imperceptível.

Hoje sorri feito boba ao lembrar quando você me acompanhou até em casa e nos despedimos originalmente com "Adeus Paulistinha do meu coração, lá pro meu sertão eu quero voltar!". Foi triste quando o condomínio decidiu erguer os muros.

Hoje sorri feito boba de quando estávamos no carro e começou a chover. Decidimos parar pra tomar chuva, estava calor, os pingos caíam com força e você fez questão de me mostrar uma música do Jake Bugg. Eu nem imaginava que aquela seria uma das trilhas mais tocadas nas nossas tardes de bebedeira tempos depois.

Hoje sorri feito boba ao lembrar do quanto a gente se divertia e passava frio no quintal que parecia ser o cenário perfeito pra nós. A trilha sonora, as nossas risadas e confissões sinceras com a luz da Lua. Todo esse improviso que se tornou um filme que minha cabeça insiste em reprisar. 

Hoje sorri feito boba ao lembrar de quando você me mandou uma de suas músicas e aquela dizia "Como vamos para o Sul?". Bem, a gente ainda não sabe. Ainda.

Hoje sorri feito boba ao perceber que por todos esses anos nós cultivamos algo que não sabíamos onde ia dar. Por algum motivo, eu nunca quis te deixar ir. Eu nunca quis que você me deixasse ir. Com muitos nós na garganta, descobertas e amadurecimento, nós crescemos. Juntos até quando estávamos separados. E aqui estamos.

Hoje sorri feito boba ao imaginar como será quando eu chegar em casa.
Vou te abraçar como se tivesse ficado uma vida fora, sentar no sofá e revezar o carinho entre você e os gatos. Deitar no nosso colchão defeituoso e te abraçar. 
E sorrir. 
Sorrir feito boba por ter você.

Pretendo fazer isso por dias.
Todos os dias.
Pro resto da vida.


Com o coração transbordando,The National no play e toda saudade do mundo,
Laisa



"I wanna hurry home to you
Put on a slow, dumb show for you and crack you up
So you can put a blue ribbon on my brain
God, I'm very, very frightening
I'll overdo it 
You know I dreamed about you..."

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Com açúcar, com afeto.

Hey, vem cá, me faz um café.
Deixa eu falar coisas banais enquanto você acende seu cigarro pra acompanhar.
Nunca falta assunto e você sempre ri das minhas bobagens.

Hey, vem cá, traz aquele vinho ruim que eu comprei.
E deita aqui.
Me mostra a Lua enquanto eu procuro as Três Marias.
Elas estão cada vez mais apagadas.

Então, agora é hora de contar os pensamentos mais profundos.
Você hesita em me dizer coisas bonitas. Mas me abraça pra mostrá-las.
Está frio. A gente tem que entrar.
Você fica doente fácil e os pernilongos estão nos devorando.
A trilha sonora parece estar no repeat.

Vem cá, deixa eu te fazer carinho na barba porque você acorda cedo amanhã.
E eu não sinto vontade de dormir quando estou ao seu lado.
E a trilha sonora ainda está no repeat.

Vem cá porque o mundo tá acabando e a gente ainda tá planejando se salvar.
Deixa eu aproveitar minha bebedeira e dizer o quanto te gosto.
Usando aquele sotaque que você disse que consegui em dois dias.

Deixa eu fingir que sou forte o suficiente pra esconder tudo.
Deixa eu fingir que não te quero perto.
Deixa assim porque ainda me surpreendo quando lê minha mente.
E quando o random teima em tocar o áudio que me mandou.

Agora pode ser chá.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Nuvem

Faz um tempo. Uns anos. Ela saiu de um relacionamento.
Perdeu uma pessoa. Talvez duas.
Encontrou alguém, entrou em outro e não era só com uma pessoa. Na verdade, eram umas dez.
E, veja só, o protagonista daquele romance era o único que não dava valor aos minutos vividos.
Ela sofria como se a cada dia perdesse um pedaço da alma. E, de fato, era isso que acontecia.
Os coadjuvantes tentavam reconstruí-la. Com toda aquela paz que transmitiam. 
Em alguns momentos até conseguiam preencher alguns buracos de pedaços que pareciam impossíveis de recuperar.
Mas todos os dias ela tirava um pedaço de si para dar a quem faltava. Àquele que estava perdendo a alma.
Sua alegria, sua risada boba, sua paciência, sua felicidade, sua dignidade... cada dia se perdiam um pouco.
E todo dia mais um pouco. E mais um pouco. E mais.
No final das contas, nem mesmo a última parte suportou.
Dizem que a esperança é a última que morre. E, crente, ela fez dessa frase seu alicerce por anos.
Até que nem mesmo a esperança conseguiu suportar.
Tudo o que havia plantado, regado e cuidado com todas as suas forças pediu para ser deixado.
Pediu para morrer.
Então, ela deixou morrer. E, se quer saber, foi um alívio.
Ela carregava o peso do mundo, de outro mundo, nas costas. Consequências de coisas que nunca tinha vivido. Carregava sozinha.

Mas, não pense que se arrepende.
Hoje sabe que existem jardins que não dão flores.






sábado, 8 de dezembro de 2012

Sem o amargo, o doce não seria tão doce!


Não sei por onde começar e nem sei se termino.
Não venho falar de nada que faça sentido. De fato.
De fato, tenho sentido falta de algo que não sei o que é.
Tem feito falta, me sinto vazia.

Eu que sou velha demais pra minha idade ou eles que são ridículos demais?
É, eu prefiro acreditar que sou velha demais pra minha idade.

O que não sai da minha cabeça é que preciso sair daqui. Quero ir pra Irlanda. Quero ir pro Rio Grande do Sul. É, e quero ir logo. Esse é o problema. Quero agora! Não sei o que mudaria, se mudaria, mas a rotina me mata!

Quero levar coisas, sentimentos, cartas e pessoas.
Cabe tudo isso na bagagem?
Quem sabe mais alguém comece a juntar moedas no cofrinho.

Acabo de me lembrar que vi o Dallas! Aquele maldito que fica cantando no meu ouvido todos os dias. É, eu o vi! Acho que mudei de ideia. Quero ir pro Canadá!

Ahhhh!

“There’s a degree of difficulty in dealing with me
From my haunted past comes a daunting task of living through memories
If we could just hang a mirror on the bedroom wall, stare into the past and forget it all
So when we leave it’ll be a quick midnight scape
We’ll disconnect ourselves from all yesterday
I’ll dig  for water and fashion our very own wishing well
Then we’ll throw our coins down hoping to rid us of this little hell.”

Whatever!



domingo, 29 de abril de 2012

E se nada mais der certo, meu amor?

"Veja você, onde é que o barco foi desaguar. A gente só queria um amor. Deus parece às vezes se esquecer."


Algumas vezes simplesmente não dá. Outras vezes não dá, mas dá pra tentar. Outras vezes dá porque sempre deu.
Onde se encaixam?


No primeiro dia, nervosa, determinada, com medo.
Uma parte de uma música comentada em Janeiro de 2011 a fez chorar.


Tem sempre aquela sensação de... o que tiver que ser será.
Enquanto isso as músicas, as danças, as palavras, as carícias, os filmes, as brincadeiras, os domingos, os shows, as ligações, as citações, as conversas, as cervejas, as intimidade, os risos, os beijos, os cobertores, as camisetas, os planos, os bares, as lágrimas, as reconciliações, as alianças, a credibilidade, a confiança e os corações terão que esperar.
Se for pra ser, eles se encontrarão novamente. Mais forte, mais felizes, mais inseparáveis.
Se não for pra ser... eles se ensinaram! E um dia ficarão satisfeitos com isso.
Por mais que no começo doa, as lágrimas sempre ensinam algo ao sorrisos e vice-versa.
O que há de ser guardado, sempre estará guardado.


Esperança, por mais que há, a outra parte não soube fazer valer.
Chance, por mais que há, a outra parte não soube dar.
Acha que estão preparados para algo?
Talvez para admitirem que um pensa no presente e no futuro...
O outro pensa no presente e no passado.
Onde se encontram? No presente. O presente não tem um fim. Tudo que está sendo vivido, afinal, é o presente.
Mas os pensamentos para o futuro sim... e o passado é sempre o mesmo e cansa.


Não só isso, mas tantas coisas discutidas... algumas sem razão, outras para se fazer notar, outras por pequenos defeitos, outras pra tudo se encaixar.
A questão não é o bom pesar mais que o ruim e tudo valer a pena.
O gostar pesa mais do que os dois, mas isso não quer dizer que faça valer a pena.


Se todas as coisas planejadas individualmente não serviram para que tomassem uma decisão e juntassem os planos, quem os convencerá de que não faltava algo?
Nunca souberam o quê, nunca souberam porquê.
Mas, quando tudo caiu, não souberam levantar.


Uma flor tirada de uma árvore que para ele não teria valor, talvez para ela fosse a salvação.
Uma conversa direta e sincera que para ela não seria ouvida, talvez para ele fosse a salvação.
Descobriram tarde demais? Não, não descobriram.


O amor é certo. O erro é fato.
Foram a pé até onde deu pé.
Ela foi por tempo a mais bela e mais linda do mundo seu.
Ele não negou a quem tentou um amor.
E nunca decidiram o que fariam se nada mais desse certo.


It's just a yellow ledbetter.



 By the way...
I know someday you'll have a beautiful life, I know you'll be a star in somebody else sky.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

15 minutos.

Quando faltar água as pessoas vão se desculpar por não ouvirem todas as vezes que reclamei sobre o desperdício.

Quando faltar ar as pessoas vão se desculpar por todas as vezes que reclamei sobre impressões desnecessárias.

Eu não sei o futuro, não há nada pra descobrir. As coisas são óbvias e você não vê porque não quer.

Uma pessoa que é nostálgica não consegue ser feliz com uma que não é e vice-versa. A outra é o presente, enquanto a nostálgica só pensa no passado. Isso que dizer que só vai começar a pensar naquela que está a seu lado no presente quando ela virar passado.

Há algumas noites tive um sonho. Estranho, mas foi cinematográfico. Poderia contá-lo em detalhes, poderia resumir, mas isso já virou passado e já não tenho mais vontade de compartilhá-lo. Não sou do tipo nostálgica, mas sinto falta das cócegas do meu tio quando era criança. Sentir falta de coisas quando era criança, não é ser nostálgico. É ter boas lembranças e gostar de tê-las. Ser nostálgico é querer viver aquilo de novo e não aceitar o presente porque o querer está no passado.

Os maiores gênios da história tinham seu lado nostálgico e gostavam de músicas tristes para ficarem tristes. E os gênios ficaram no passado, eles viraram algo bom para lembrar, mas não para viver.

Dezembro, nostalgia total, retrospectiva, melhores momentos do ano, as melhores piadas, os melhores motivos pra sorrir ... fim de ano, fim de vida, que merda eu fiz esse ano, onde eu fui parar, quantos cabelos brancos nasceram, quantas pessoas deixei me ver chorar.

Janeiro, visão do futuro, quais são meus planos, pr'aonde vou viajar, quem quero conhecer, vida saudável, nada de pizza ... começo de ano, mais um ano, estou ficando velho, mais tédio, mesmas coisas do ano passado, espero que os feriados caiam no meio da semana.

O que eu penso?

Oh my God, it's my favorite song!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Anjo de Vidro

Não procurei um sorriso e nem um ombro amigo, e mesmo assim achei. 
No melhor momento, ou talvez não. 
Mas surgiu como se estivesse ali há anos e ficou como se fosse durar pra sempre.
Tão sensível quanto eu, mas procurou me proteger.

Pequeno e direto, de coração para Agatha.

domingo, 21 de agosto de 2011

Domingo.

Normalmente, em domingos como este, tenho a tendência de ficar triste.
Por esse motivo, acho melhor não me aprofundar em nada que eu queira dizer.
Posso falar o que vier a mente, e amanhã, numa segunda-feira ensolarada, eu ache que está errado.
Prefiro desviar meus pensamentos deste domingo.


Obs: Meu ânimo, ao acordar, estava ótimo!


O que aconteceu? Bom, pergunte ao domingo de frio e chuva, chuva e frio...




In my life... 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Em vão.

Ela andava perdida entre músicas que não escreveu tentando adivinhar como elas poderiam dizer tanto sobre o que sentia.
Como seria possível alguém, sem conhecê-la, entender o que sente?
"Nunca lhe passou pela cabeça que outras pessoas também sentem o mesmo?"
E ela, por aí, chorando e lamentando mais um dia. 
Para quê? Aonde vai ficar? Pr'aonde vai levar? No que vai dar?
Escrevia em sua mente suas incertezas tentando compreendê-las e transformá-las em atitudes.
De nada adiantava. Ela não tinha a cabeça como deveria para conseguir.


Numa noite qualquer, conversando com uma pessoa qualquer, num quarto de hotel qualquer, escrevendo alguma palavra qualquer, ela entendeu que era a própria pessoa qualquer com a qual conversava dizendo uma palavra qualquer.
Ela não tinha como fugir. Estava presa a ela mesma.
Aonde vai ficar? Pr'aonde vai levar? No que vai dar?


"I know it's over, still I cling. I don't know where else I can go."


Talvez não faça sentido.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Nada óbvio, eu diria.

Nós precisamos viver mais!


Precisamos encontrar vida aonde não há, contar e viver, esquecer os fingimentos.
Deixar o medo de lado.

Preciso me encontrar e tomar mais decisões. Ter uma atitude quando há falta;
Ser mais objetiva e aprender a não usar de tanta empatia.
Na verdade, é o que tem pra hoje, mas, porra, não posso esperar pra viver amanhã.
Enfim, nós precisamos viver mais.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Cores no escuro.

As mil faces de quem os observa.
Alguns olham tristes, sentindo falta de alguém que deveria estar ali.
Outros têm um sorriso no olhar. As cores encantam, é tanto brilho.
E outros, apenas, não tem mais o que fazer.
É assim, são tantas cores. Umas mais fortes, outras mais fracas.
Umas são bonitas e outras só parecem bonitas naquele momento.
Caem sobre nossas cabeças sem sentirmos, queimam o céu sem percebermos, levam o brilho aos nossos olhos sem a nossa vontade.
Eu, quando os vejo, esqueço um pouco do que está havendo ao redor. É tanta cor, tanto brilho... eu tenho vontade de guarda-los num potinho e deixar na cabeceira da cama.
Não seria tão fascinante se ficasse assim o tempo inteiro. É só naquele determinado dia, naquele determinado momento.
Enfim, assim são os fogos de artifício.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

25 anos!

Ahhh, tantas pessoas fazendo 25 anos!
Daqui 7 anos, eu farei. Mas essas que fazem agora, já terão mais!
Que estranho! Não, não é estranho.
Com 25 anos, espero estar formada. Acho que, por enquanto, é só o que eu espero!
Mas, há 25 anos, a Rainha Está Morta.
Tudo bem, é um post com palavras desnecessárias, só para parabenizar The Smiths pelo album mais importante de sua carreira.
Pois é, eu vi na MTV. Eu sou fã dos Smiths mas, não sou fã há 10 anos e nem quero só ver os caras, nem que seja entrando no hotel!
Há quem saiba à quem me refiro.
Bom, para comemorar esses 25 anos de The Queen Is Dead, comi pão com queijo e tomate, e bebi 2 copos de coca-cola! Acho que está bom, né?! rs
Para quem não ouviu o CD... tá perdendo!!! Ah, tá!
Anyway, vai ai o video da música The Queen is Dead, que é a 1st faixa do CD.
Dá tontura, mas é legal!



Um beijo para o Morrissey. Não sou fã há 10 anos e nem quero vê-lo entrando no hotel, maaaas...
Se quiser vir ao Brasil,  terei o maior prazer em vê-lo.
Te apresento uns amigos e você me dá uma flor de lembrança!
Hahaha! Pobre garota!


Some girls are bigger than others!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Beijos pra torcida!

         Muitos dos meus atos foram criticados, mas, muitos dos deles também.
         Eu aprendi que tenho que esquecer aquelas coisas que ficaram engasgadas por anos, porque, se não foram ditas até agora, é porque não devem ser ditas.
         E toda aquela história de que as coisas duram pra sempre, ahhh, hoje eu dou risada. Mas, não me culpo, eu era muito ingênua para duvidar de coisas tão bonitas.
          Vejo o que tenho, e comparando com o que tive, meu Deus! É tudo tão concreto e decente. Me dei ao luxo de poder escolher em quem e no que acreditar.
          Mas, ainda assim, continua difícil para mim, ter que aceitar mentiras pequenas e ridículas. Coisas ocultas que eu sempre acabo por saber.
         Eu passei a perceber que eu tenho o controle do que posso evitar, ignorar ou aceitar.
         Mas, ainda assim, não consigo ter controle nos momentos que eu mais quero ter.
         E, além de tudo isso, passei a amar as coisas simples. Gosto de guardar folhas e flores secas e borboletas e mariposas mortas.
         Esses dias, com um frio absurdo, tentei esquentar minhas pernas no Sol, quase impotente, que passava pela minha janela. Senti que era ali onde eu deveria estar, e que, por mais que eu praguejasse contra o Sol, naquele dia, ele foi uma das coisas que me alegrou.
         E esses dias, enquanto lavava a louça, pensei em tanta besteira que perdi a vontade de prosseguir. Uma simples música enxaguou meu sorriso, tirando, assim, o sabão.
        Sabe, há quase mil motivos pra eu ignorar o que ouço e vejo em cada esquina.
        Mas, eu confesso, por mais que eu tente, eu não consigo.
        E pra todos aqueles que torcem para que eu nunca consiga... um beijo! 
Odeio tornar isso tão pessoal.

Lágrimas do tempo, sorrisos da alma.

         Moravam numa casa simples, longe do centro da cidade. Cultivavam uma horta, que era a sobrevivência da família.
Stella corria e corria por entre as flores do jardim. Carregada de folhas no cabelo, ela voltava pra casa. E sua mãe, como sempre, tirava as folhas com todo cuidado para não desmanchar os cachos da menina. Era uma menina educada de olhos marcantes. Encantava e alegrava tudo a sua volta.
        - Lave as mãos, menina. Vamos jantar.
Era a parte do dia que Stella mais se sentia segura. Ficava sentada a mesa com seu pai enquanto sua irmã mais velha ajudava a mãe a servir o jantar.
        - Teremos torta de maçã para sobremesa. – cochichou a irmã em seu ouvido.
Maçã era sua fruta preferida. Nunca achou que frutas combinassem com massas. Mas, aquele dia, ao morder o primeiro pedaço da torta, ela mudou de opinião. E todos os dias sua mãe a ouvia pedir a sua torta preferida. Torta de maçã.
         Os anos foram se passando, e Stella viu sua mãe falecer. Sem aguentar a dor da perda, meses depois, também, seu pai. Aos 23 anos, sua irmã, Alice, se casou com um rapaz da faculdade. Sabendo que, Stella, com 18, já era madura e responsável o suficiente para cuidar de si mesma, mandou-a de viagem para estudar.
         Stella encontrou Pedro, seu primeiro e único amor. Com quem se casou e teve 2 dois filhos. Uma linda e grande casa, seus filhos tinham de tudo, e ela tinha todo amor que merecia. Mas, toda noite, antes de dormir, Stella pensava em como gostaria que seus pais estivessem vivos desfrutando daquilo com ela.
Alguns meses após seu segundo filho ter nascido, Stella recebeu uma carta do marido de sua irmã, dizendo que ela falecera devido a uma tuberculose. Ficou pasma, e não falou com ninguém durante dias.
         Passaram-se anos e Stella viu seus filhos crescerem e sua vida envelhecer. Seu marido, embora não estivesse jovem como quando ela o conheceu, preservava o mesmo sorriso e afeto que a cativara.
         Lindos anos, não é, Dona Stella?
         Sentada em sua cadeira de balanço, deixou cair algumas lágrimas ao relembrar sua vida. Mas, logo deu conta de que não havia o que fazer, as coisas não voltariam. Levantou-se e foi tomar seus remédios. Afinal, era o que tinha que fazer. Continuar a viver, independente do que havia passado. Pois naquela casa, onde ela era sua própria companhia, ficaram os vestígios de lindos sorrisos e longos abraços. E, por mais que estivesse sozinha na vida, se orgulhava em lembrar e agradecia aos céus por tudo que teve.
        Naquela tarde, com o coração transbordando em recordações, Stella sentou-se na cama e pegou o álbum de fotografias. Percebeu que, com certa frequência, as pessoas iam desaparecendo de lá, mas, o sorriso das que ficavam era sempre o mesmo. Refletiu. Tomou seu último remédio, beijou a foto da família e sorriu. Era feliz, apesar de tudo. Deitou-se e dormiu. E, todas aquelas flores que deveria regar quando acordasse, murcharam e caíram sem vida.




quinta-feira, 14 de abril de 2011

Fingi na hora rir...

Por mais que eu já tenha passado por uma das fases mais confusas da minha vida - aquelas pelas quais todo mundo passa, eu ando em confusão comigo mesma nos últimos tempos, de novo!
Faculdade, idade, trabalho...
Meu Deus, esses dias atrás estive conversando com meu namorado e disse que sou uma das pessoas mais felizes que conheço. Mas, em apenas um dia, eu consigo duvidar até disso. Algo que sempre tive a maior certeza.
Mas, amanhã, vou ler isso e vou dar risada de estar duvidando da minha felicidade.
É a confusão que anda me tirando o ânimo, são as dúvidas que andam tirando meu sono.
Ora eu digo "whatever", ora eu digo "relax, take it easy", e, na maioria das vezes eu digo "shit! I'm falling down!".
Não estou pedindo nada. Estou procurando, em mim mesma, esquecer essas coisas sem motivos.
Odeio transformar isso em algo tão direto...


quarta-feira, 30 de março de 2011

De frente com Cinderella

Cinderella é fruto de uma família feliz.

Cinderella gosta: De sair do banho com o cabelo molhado e deixá-lo secar sem pentear;
De dormir com maquiagem e acordar com os olhos borrados de preto;
De que seus dedos fiquem mais finos e sua pele mais clara na época de frio;
De ser expressiva enquanto lê um livro para despertar curiosidade às pessoas ao redor;
De observar as pessoas dentro do trem e tentar imaginar o que pensam;
De fazer palavras-cruzadas;
De conseguir entender algo em inglês sem esforços;
De que alguém a consiga surpreender;
De cantar bem alto músicas que sabe a letra corretamente;
De escutar músicas que fazem seu corpo arrepiar e seu coração sentir uma emoção diferente.


Cinderella não gosta: De ter um pesadelo e ficar o dia inteiro com más impressões por causa dele;
De ter que ser simpática quando não quer;
De pessoas que fingem ter sentimento por ela desde a primeira vez que a vê;
De sentir o seu rosto queimar por causa do sol;
De começar a ler um livro e não conseguir se concentrar;
De pessoas que sentam ao seu lado no ônibus mesmo quando tem muitos outros lugares;
Do som do trompete;
De que sapatos novos machuquem seus pés;
De batons que borram depois de um longo tempo;
De chorar quando vomita ou engasga;
De que pessoas culpam seu signo por suas características.

De todas essas coisas, Cinderella tem afeto por coisas. Coisas que ganhou, feitas pelas próprias mãos de quem a presenteou ou não. Coisas desnecessárias, mas, que trazem alguma lembrança. Coisas velhas com valor indescritível, e coisas novas tão valorizadas quanto.


De todas essas coisas, Cinderella gosta de ouvir coisas. Coisas que a deixam com a auto estima elevada, coisas que fazem-na gostar mais de outras pessoas. Coisas que a orientem e coisas que a ensinem a seguir da melhor forma. Coisas de outros idiomas que consiga entender, e coisas naqueles que acha bonito. Coisas que trazem paz e coisas que fazem ter vontade de correr. Coisas que não sabe explicar e coisas que adora entender.


Cinderella tem suas qualidades e seus defeitos. Tem seu jeito de encarar as coisas e seu jeito de fazer as coisas. De tudo um pouco, Cinderella é feliz!


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Acorde e sinta o cheiro do café.

Certo dia, menina, estive ao seu lado. Observei como andava e tentei adivinhar o que pensava.

Mas por outros dias, te observei e esperei você tropeçar para que eu te ensinasse mais uma lição.
Fiz isso por anos. Até que acabei aprendendo com você.
Agora, você será deixada em segundo plano, abrindo caminho para mim.
Quem você sempre sonhou ser, mas da forma que você menos soube.
Com pensamentos diferentes, atitudes diferentes, mas, é você quem vai me fazer chorar.
Preste atenção, menina, aquilo que você tem, é o que eu sempre irei buscar.
Seremos confidentes, irmãs, amigas, e, ao mesmo tempo, inimigas.
Conversaremos em silêncio, nos invejaremos em silêncio.
Sentirei sua falta, enquanto você gostaria de estar na minha pele.
E, espero que nunca desista de tentar, pois é assim que vou mantê-la por perto.
Mas se não conseguir, jamais se esqueça que para sempre compartilharemos da mesma alma.





Não importa o que aconteça, meu coração estará com você pro resto de nossas vidas...

Isso não é uma depespedida, é apenas "te vejo amanhã e sempre!"

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mapas do Acaso

Eu, Laisa Soares Bezerra, como qualquer outro fã do EngHaw, estou louca pra ler. Talvez não te interesse, mas, eu já estou ansiosa!


Trecho do livro "Mapas do Acaso", de Humberto Gessinger

"Mesmo que eu fosse apreciador dos bons restaurantes, não me imagino visitando a cozinha deles. Quando vou doar sangue, não olho para a enfermeira, muito menos para a agulha. O que acontece sob o capô do meu carro é um completo mistério para mim, beira a magia. Deve ser desmistificante para quem não está familiarizado com o processo de criação ver rascunhos, sementes de músicas que frutificaram longe de onde foram plantadas. (...) Natural, há um oceano na cabeça. As músicas, livros, desenhos, gritos, sussurros e silêncios são apenas as ondas que chegam à praia. E as ondas voltam. Sempre. Nunca iguais. Deve ser o que chamam “ponta do iceberg”. Talvez, depois de 25 anos, o resto do iceberg fique mais visível. Talvez não. Há quem diga que a função das palavras é esconder o que sentimos. Eu não digo."